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Requisitos mínimos para ser um professor de yoga

Yogacharya BKS Iyengar

Um professor transmite conhecimento aos alunos tanto ao ensinar asanas como pranayama.

  • Um professor deve iniciar pelo bahiranga (externo), que é mais fácil de entender.

"Um professor deve ensinar o assunto que conhece bem e do qual tem certeza.

Não se deve ensinar o que não se sabe."

  • Ensine o que é aplicável de maneira prática e visível aos olhos. Assim, o professor faz o estudante penetrar gradualmente o corpo interior. A maioria das pessoas está consciente do corpo externo e apegada a ele.
  • O ensino muda quando nos tornamos conscientes do corpo orgânico. Nas torções como Marichyasana, devemos sentir o estômago, o fígado, os intestinos e assim por diante por meio da ação estrutural do corpo. Depois de adquirir tais sensações o professor pode transmiti-las aos outros.
  • Em cada ação realizada deve-se utilizar a mente, a inteligência, a atenção, a força de vontade e a consciência. Ao ensinar yoga, a aplicação de todos esses aspectos é importante, e o professor deve ser claro a esse respeito.

"Envolvimento consciente da mente e da inteligência, penetração interna, correlação entre corpo, mente e inteligência com consciência são os requisitos mínimos para ensinar yoga."

Deve-se estudar com atenção os Yoga Sutras. Patanjali nos dá uma pista no sabija samadhi, onde encontramos seus quatro aspectos – vitarka, vicara, ananda e asmita. Entendo que necessitamos destes quatro aspectos ao praticar e ensinar, pois eles são aplicáveis a cada aspecto do astanga em todo e qualquer nível.

Primeiramente, necessitamos da aplicação lógica da inteligência com análise (vitarka). Depois, da aplicação refletida da inteligência com síntese. Portanto, ao praticar – sejam os princípios de yama, niyama, asana ou pranayama –, deve-se primeiro tentar a ação para depois aplicar o pensamento.

Tome o exemplo de santosa. Santosa significa contentamento. Devemos ficar contentes com qualquer prática que fizermos. Então, o processo do pensamento começa – e se for possível vai mais além. Deve existir um descontentamento divino nesse contentamento. Isto é análise.

"Deve existir um descontentamento divino nesse contentamento."

A partir daí, é preciso encontrar a síntese para chegar à claridade. E tentar manter o nível de contentamento, tornando a mente estabelecida nesse contentamento. Assim temos ananda.

Embora a prática seja dolorosa, inquietante e complicada, o sentimento de júbilo é fundamental.

Comece a olhar a prática com a mente aberta, para que a comparação e a competição acabem. Não desenvolva orgulho ou vaidade por suas conquistas.

"Não desenvolva orgulho ou vaidade por suas conquistas.

Conquistas não almejam a identificação ou o reconhecimento, mas ficar próximo do centro do ser."

Viva uma vida com significado. A maturidade em santosa deve levar a asmita para que se valorizem as conquistas. Uma conquista não é a cereja no bolo nesse instante; trate-a como o progresso na prática. A asmita não almeja a identificação ou o reconhecimento, mas ficar próximo do centro do ser.

Dessa forma, cada aspecto deve ser pensado pelos professores para treinar a si mesmos e seus alunos. Então, os esforços, a atenção, o envolvimento, a intensidade ou a coragem não serão mais percebidos e existirá apenas clareza.